Conversamos com nada mais nada menos que Karl Lagerfeld e ele nos contou tudo sobre suas inspirações e sobre o mundo Fendi.

Difícil definir Karl Lagerfeld em uma palavra. Kaiser, gênio, visionário, vanguardista: sim. Excêntrico? Também. Mas, talvez, sua maior característica seja realizar. Pronto, Karl é um realizador. O estilista alemão não mede limites, físicos ou transcendentais, para aparentemente atrasar a rotação da Terra. Só assim para executar suas mil e uma funções. Ele acumula três cargos de direção criativa – em sua marca homônima, na Chanel e na Fendi. Lagerfeld entrou na label italiana em 1965 e logo deu nova cara à marca, trazendo um olhar avant-garde às peças feitas em pele, grande expertise da casa. O estilista revolucionou o material clássico e burguês ao propor novas formas e tingi-lo com tonalidades ultracoloridas. Ainda desenvolveu o logotipo FF, símbolo da marca, para apontar uma fase renovada, a da “Fun Fur” (“pele divertida”, em português), que brinca com as iniciais invertidas e sinaliza o contraste de tradição e experimentação para a consumidora independente e moderna da época. Cinco décadas mais tarde, em períodos de curta duração na permanência de designers à frente das grifes, Karl mantém-se incansável e impressionantemente contemporâneo. E não cansa de surpreender, sempre sugerindo novas técnicas e texturas. Isso sem contar as referências audaciosas. Para a sua mais recente coleção para a Fendi, a de inverno 2017, por exemplo, traçou uma relação entre o passado de origem oriental e o futuro espacial em roupas que misturam o feminino e delicado ao austero. Contrapontos nada óbvios e de difícil compreensão. Não para Karl Lagerfeld. Sempre ácido, o estilista parafraseou Voltaire no backstage antes do início do desfile: “O que precisa de uma explicação, não vale a pena explicar”. A seguir, o designer realizador – e gênio do marketing – fala mais de suas inspirações.

Ondas gravitacionais. De onde veio essa inspiração tão diferente?
As ondas gravitacionais são mais fonéticas do que reais. Gosto do som da eternidade, das ondas do universo. Acho tudo muito fascinante!
E as pinturas botânicas japonesas?
Adorei as pinturas e flores que encontrei em um livro e elas acabaram sendo uma mistura perfeita com as ondas. É como se viessem de um outro século, mas parecem tão modernas.
A combinação de passado e futuro é uma característica sua na Fendi.
A arte e cultura japonesa são muito modernas e ao mesmo tempo atemporais. A cultura deles foi estabelecida há mais de mil anos e pouco evoluiu desde então. Isso é algo muito diferente da cultura europeia, que muda a cada 25 e 30 anos, por exemplo.
Como você e sua equipe reproduziram esses desenhos nas peças?
Usamos jacquard de seda. As pessoas pensaram que era couro, mas não. Gosto da ideia de a Fendi fazer técnicas milagrosas e o público não saber como isso foi desenvolvido. Fico feliz porque conseguimos sempre surpreender.
É verdade que, nesta coleção, quando a peça parece de pele, ela é de veludo?
Sim, e vice-versa! A pele e o veludo são igualmente luxuosos. Sempre olhei para ambos da mesma forma e os tratei como materiais incríveis.
De onde veio a ideia da decoração do desfile, com azul e laranja?
Queria encontrar algo que pudesse se repetir por toda a sala de uma forma muito “Fendi” e futurística ao mesmo tempo. À primeira vista, o cenário parece uma instalação, uma cidade à noite. E também pode não ser.
O que você pode dizer sobre os três mascotes de pelúcia em tamanho real, os Fendirumi, que estavam na fila A do desfile? Sempre os encontra?
Eu sempre os encontro! Eles são como os filhos do Karlito [o boneco de Karl Lagerfeld que enfeita bolsas da marca].
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