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"O Álbum Branco", de Joan Didion, costura a cena dos Estados Unidos entre 1960 e 1970

Para quem gosta de jornalismo, o nome Joan Didion é leitura obrigatória. Uma das precursoras do novo jornalismo nos Estados Unidos (ou new journalism) – técnica de escrita que mescla literatura com as regras jornalísticas –, a escritora mostra como se colocar dentro de uma pauta, sem fazer aquilo ser sobre ela – algo bastante difícil de fazer, aliás. Em O Álbum Branco (Harper Collins, R$ 50), publicado originalmente em 1979 e com apenas uma edição brasileira, lá em 1987, você encontra 20 textos divididos em cinco partes, todos escritos no final da década de 1960 e começo da de 1970, contextualizando a cultura dos Estados Unidos.

#MulherBacanaLê: O Álbum Branco, de Joan Didion (Foto: Paula Jacob)

 

Ela fala dos incêndios na Califórnia, onde tinha uma bela casa com o marido e a filha, com a mesma naturalidade e profundidade que trata os terríveis acontecimentos no bairro, como o assassinato de Sharon Tate a mando de Charles Manson. Ela também esbarra nas causas sociais, comentando sobre os Panteras Negras e a reinvidicação dos direitos para negros no país. Esboça os traços da contracultura ascendente, mergulhando na cena musical e artística de Nova York, cruzando ainda as histórias de quem conhece e entrevistou para dar o tom da cena underground.

 

Joan Didion também se faz corajosa ao questionar a efetividade da luta feminista branca norte-americana com o esvaziamento dos discursos. Perfila com bastante emoção a pintora Georgia O'Keeffe: "[...] Como provam seu trabalho e aquilo que ela disse a respeito dele, Georgia O'Keeffe não é 'rabugenta' ou excêntrica. Ela é simplesmente dura, sem rodeios, uma mulher livre de senso comum e aberta ao que vê", escreve.

#MulherBacanaLê: O Álbum Branco, de Joan Didion (Foto: Divulgação)

 

Conta sobre as memórias de visitas feitas em viagens, perpassando por observações atentas aos lugares para além dos cartões postais. E se abre, se entrega, se mostra vulnerável em cada chance que tem de se escrever no papel. Como bem diz a primeira linha do livro, "contamos histórias para viver". E que lindo que é ler a vida pelo seu olhar, Joan. Para quem tiver curiosidade de saber mais sobre ela, indico o documentário The Center Will Not Hold, disponível na Netflix. 

 

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05.08.2021
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MendesCC
HBrazil!
05.08.2021 (1864 days ago)
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