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Aos 17, paraense cria projeto inovador e ganha 10 prêmios de ciência
Francielly no Wired Festival, no Rio de Janeiro (Foto: GQ/Roberto Filho)

 

Apesar da pouca idade, a história de vida da Francielly Rodrigues Barbosa, de 17 anos, é pura inspiração: natural de Moju, cidade a 120 km de Belém do Pará, Fran já ganhou 10 prêmios de ciências e uma viagem aos EUA para conhecer o MIT, uma das universidades mais importantes do mundo! Como ela chegou lá é o que você vai ler abaixo: 

“Dentro de uma escola existe um mundo de possibilidades – e como sou grata à minha pelo tanto que ela já me deu. Meu nome é Francielly Rodrigues Barbosa, tenho 17 anos, e (agora, em 2019) sou estudante do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Ernestina Pereira Maia em Moju (cidade onde vivo, cresci e nasci), localizada a 120 km de Belém, no Pará.

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Francielly na Febrace, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, em SP (Foto: Divulgação)

 

Sempre amei estudar. Na infância, me lembro dos meus avós maternos – que me criaram e com quem vivo até hoje – acordarem supercedo para me levar à escola e, sempre que dava, me presentear com livros. A paixão pelo ensino (motivada justamente pelos meus avós) sempre foi tão grande, que qualquer atividade extracurricular era motivo para eu ficar na escola. Aos 8 anos ganhei minha primeira bolsa de pesquisa após ser destaque na feira de ciências.

Feiras de ciências, aliás, sempre fizeram parte da minha vida. Dei um pause nas participações apenas aos 14 e 15 anos por um motivo muito triste. Em 2015, perdi meu professor e orientador (vítima de um ataque cardíaco) poucos dias antes da nossa apresentação, e não quis mais participar. O trauma foi grande, tive uma quase depressão e fiquei muito mexida.

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Tudo mudou em 2017, quando conheci a professora de química Danielle Pereira, que trabalha no Clube de Ciências da nossa escola há anos. A professora Danielle é uma mulher forte, que se posiciona politicamente e cientificamente, e que me mostrou que é (sim!) possível fazer ciências em uma escola com poucos recursos. Ela me convidou para trabalharmos juntas e logo saí pela escola procurando um ‘problema’ que pudesse desenvolver no trabalho. Quando outra professora comentou sobre o forte cheiro de gás que incomodava o bairro dela, fui investigar.

Francielly em Moju, cidade a 120 km de Belém do Pará (Foto: Divulgação)

 

Após bate-papo com alguns moradores de Moju e aplicação de um questionário em 150 pessoas, descobri que 65% da população usava lixo para nivelar os terrenos e, assim, construir suas casas. A argila (material usado na região para fazer as fundações) é muito cara e a população humilde da cidade não tem recursos para arcar com essa despesa.. Quando contei o caso para a professora Daniella, ela me explicou que a matéria orgânica, quando decomposta, gera gás metano, o qual é tóxico e mega inflamável. Fiquei tão assustada... Afinal, eram muitos moradores naquela situação.

Daí nasceu a ideia de desenvolver um material que fosse acessível aos moradores. Após tentativas e erros, chegamos a mistura de 25% de argila e 75% de carvão do caroço de açaí (fruta muito comum na minha região) que, juntos, provocam uma reação química e viram naturalmente um ‘cimento’ – com o qual pode ser feito uma espécie de tijolo e, posteriormente, aplicado na fundação ao invés do lixo. Um golaço!

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Depois de muita rifa e sorteio na escola, conseguimos juntar uma grana para levar o projeto à Febrace, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, que aconteceu na USP em março de 2018. O esforço valeu tão a pena que não só ganhamos o primeiro lugar na Febrace, como levei outros nove prêmios – um deles me permitiu participar de um Workshop no MIT em Boston, nos EUA, para onde embarquei em outubro passado.

O pré-viagem foi perrengue. Eu tinha passagem e hospedagem pagos, mas o dinheiro para tirar visto e passaporte, não! Sem falar que não tinha ideia de como preencher a papelada de emissão dos documentos. O sonho da viagem ia parar ali se não fosse a Beatriz Vianna de Araújo Cintra, estudante de Arquitetura da USP que conheci durante a Febrace, que me ajudou com visto e passaporte, e ainda organizou uma ‘vaquinha online’ que cobriu os custos extras da viagem e me levou para outras feiras do País.

Francielly no workshop no MIT, em Boston, EUA (Foto: Divulgação)

 

Embarquei para Boston sozinha e, nos EUA, tive aulas com outros jovens brasileiros de um colégio particular de São Paulo. O workshop acontecia em grupos e eu era a única menina, a única estudante do ensino público. Foi um choque de realidade encontrar uma estrutura tão diferente da minha escola no Pará e conviver com alunos que possuem vivências tão distintas das minhas.

A experiência de ter ido aos EUA e visitar grandes cidades do Brasil me inspirou e me mostrou que sou capaz. Mas, de verdade, o que me deixa ainda mais feliz é ver que as meninas da minha escola se animaram para desenvolver trabalhos científicos. Agora, vou patentear o projeto para ter liberdade de usá-lo. Não quero ganhar dinheiro com ele; quero criar uma cooperativa aqui, ajudar a comunidade... Afinal, tudo é possível!”

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10.01.2019
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MendesCC
HBrazil!
10.01.2019 (161 days ago)
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