
O "bikini" foi inventado na França, em 1946
Foto: Getty Images Um item essencial para a mala de viagem à praia é o biquíni. Chinelos, vestidos, shorts e saias também estão na lista, mas sem a roupa de banho fica difícil aproveitar o mar azul da praia de Ipanema, No Rio de Janeiro, ou a agitação do litoral norte paulista. A peça que hoje cabe na palma da mão, já precisou de um espaço maior na mala. A ideia de nadar com uma calça até os tornozelos e uma túnica comprida cobrindo todo o corpo está distante da moda atual, entretanto no passado era o traje de banho do momento. "As mulheres usavam um calção bufante por baixo de um vestido, nadavam de roupa", explica a professora de história da moda da universidade Santa Marcelina, Miti Shitara, sobre o modelo usado no século 19.
Na década de 1920, considerada "os anos loucos" pela história, o comportamento feminino sofreu uma brusca transformação. De acordo com a estilista Dhora Costa, no período após a Primeira Guerra Mundial as mulheres começaram a cortar o cabelo mais curto, fumar em público e trocaram os vestidos imperiais por modelos mais curtos e leves. A mudança também afetou as peças de banho e os calções com túnicas foram substituídos por macaquinhos de malha. A professora Miti Shitara diz ainda que as mulheres usavam sapatilhas e meias compridas para ir à praia.
O conhecimento dos benefícios da luz solar e a aspiração por um corpo bronzeado na década de 1930 colaboraram para encurtar mais a roupa de banho. O traje feminino ficou mais colado, curto nas pernas e ganhou um saiote para cobrir os quadris, de acordo com Miti. No início dos anos 1940, o maiô perdeu a saia e expôs as curvas femininas. Logo, a roupa de praia se dividiu em duas peças, mas tudo ainda bem comportado. De acordo com Miti, a parte de baixo cobria o umbigo e o sutiã era grande o suficiente para tapar todo o seio.
"O mais próximo do que conhecemos hoje como biquíni surgiu em 1946, na França, criado por Louis Réarde", afirma Miti. Segundo a professora, o nome da peça foi inspirado no atol do oceano Pacífico onde ocorreu uma explosão atômica experimental no mesmo ano. "O modelo foi um estouro, um escândalo e não pegou", diz. A stripper Micheline Bernardini foi quem desfilou com o modelo. "Dizem que até ela precisou ser convencida a vestir o traje", brinca Miti. Até o início dos anos 1950, as mulheres usaram a roupa de banho com duas peças pouco cavadas. De acordo com o professor de modelagem de moda do Senac, Roberto Rubbo, foi somente com o uso do biquíni pelas atrizes de Hollywood que o modelo considerado escandaloso se popularizou. "Ursula Andress, Brigitte Bardot e as pin-ups fixaram o biquíni como tendência e fizeram as mulheres não terem vergonha de mostrar o corpo", explica ele.
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