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O novo normal

Nasceu Manuela, em 7 de abril de 2020, às 8h30 da manhã. Três quilos, linda, amassadinha. Acompanhei o parto da minha sobrinha pelo link que mostrava o centro cirúrgico, mas o médico ainda preparava a anestesia quando a foto da bebê chegou por WhatsApp. Delay tecnológico à parte, viva! Consegui falar com a minha irmã horas depois, pelo FaceTime, e nem nos ocorreu mencionar pandemia. Que milagre é a vida! E dá-lhe fotos fofas da Manu no grupo da família. Agora contamos os dias - que não sabemos quantos são - para finalmente conhecê-la pessoalmente.

Em casa 1: eu, Giovana, redatora-chefe da Glamour & o Martim em momento home office Pinterest (Foto: Arquivo pessoal)

 

9h30 e já estou atrasada para a consulta on-line com a nova nutricionista. Mariana vai me ajudar a ajustar a dieta sem leite e soja e derivados, produtos a cujas proteínas meu filho, Martim, de 4 meses, é alérgico e que passam durante a amamentação. Falamos durante uma hora e meia. Saudade de gente diferente acho - foi tipo terapia. Receituário de vitaminas, plano alimentar e nota fiscal chegaram por e-mail. Marcamos o retorno virtual para a próxima terça.

Na próxima terça também a vizinha, que é coach, começa o atendimento por Skype de um cliente. Combinaram agora pouco. Ela dá 10% de desconto no pacote de 12 sessões “por causa dos tempos difíceis, inclusive financeiramente, para todos”. Ouvi enquanto escovava os dentes - a sala adaptada de atendimento deve dar de cara para o meu banheiro. Falando em cara, sinto por não ter visto a dela antes do coronavírus. A família se mudou para a casa ao lado há alguns meses, nossos horários não batem, mas conheço tanto essas vozes. Vizinha, se estiver lendo este texto, me manda DM?

 

Giuliana me mandou uma, sobre um projeto de quarentena que quer tirar do papel. Também quer cortar o cabelo, mas acha que os salões só voltarão a funcionar no fim do ano. Será? Engoli seco. Ok, no novo normal autocorte é o que há, aprendi com Gabi nos stories da Glamour. Também no Insta vi que Olívia, minha melhor amiga, acordou cedo para fazer a aula de yoga da Camila. Camila é yogini e bailarina. Vive de se mexer. Em grupo. No palco. Jogando seu corpo sobre outros corpos. No novo normal ela grava aulas de yoga sozinha na sala de casa em Pinheiros, assim como minha amiga Carla faz com balé e pilates no apê de 55 m2 dela. Quando tem videoaula, o marido muda o home office dele para o quarto. Eu mesma só consigo praticar qualquer coisa quando meu filho dorme (o que não acontece com muita regularidade) ou quando tenho ajuda com ele. No novo normal, apesar de não ser o ideal, a Rosângela, babá dele, fica isolada três dias da semana com a gente e quatro na casa dela, com o cachorrinho Marley.

Em casa 2: a jornalista Stefani Sousa e o irmão dela, William, família que quarentena unida (Foto: Acervo Pessoal)

 

É ainda quando consigo trabalhar em esquema de home office. 16h e reclamo da falta de controle sobre tudo neste momento com a Stefani, jornalista da Glamour com quem divido uma matéria. Na casa dela não está mais fácil. “Esse era meu ano da virada, eu ia me formar e fazer intercâmbio”, retruca. Fefis segue confinada com mãe, pai, irmão e prima. Ninguém trabalhando (pai e prima trabalham em uma escola, o irmão é criança, a mãe tem um salão de beleza que fechou). Netflix neles? Nada! Há semanas tentam com a operadora melhorar a internet, que só fica ágil usada em um aparelho. No caso, o computador dela, que precisa escrever - e falar com o namorado que não vê há três semanas, já que a mãe dele é grupo de risco. “To vivendo um eterno mercúrio retrógrado”, me diz, depois de contar sobre a reportagem sobre profissionais da saúde que trabalham na linha de frente do combate ao coronavírus.

Lembro de Marina, que é cirurgiã residente, filha de cirurgião na ativa e com mais de 60 anos.
“Amiga, ando nervosa, ansiosa, às vezes desconcentrada. Tentando evitar notícias de corona, evitar TV, rádio, internet. Vou do trabalho pro meu quarto e só”, me responde. “Mas, ao mesmo tempo, cada dia mais forte, aprendendo muito e cuidando da família”. No novo normal eu choro ao ler isso e ao pensar na família dela, na da Fefis, na minha e na sua. Fecho os olhos bem forte, respiro fundo, abro. Podia ser apenas um sonho. Não é. Mas vai passar. Como toda dor, a gente sabe que vai. Até porque nasceu Manu. “Hoje, gostaria de agradecer às jovens mães que enfrentam os medos compreensíveis. E obrigado também a quem as ampara com afeto, com competência. As crianças que nascem em tempos de coronavírus são um sinal de grande esperança”. Foi o papa Francisco quem disse. Amém.

No hospital: a cirurgiã residente Marina Gimenez, do São Luiz, com seu uniforme diário (Foto: Acervo Pessoal)

 

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09.04.2020
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MendesCC
HBrazil!
09.04.2020 (53 days ago)
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