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#MulherBacanaLê: "A Vegetariana", de Han Kang

Publicado no Brasil em 2018, A Vegetariana (Todavia, R$ 49,90) mexeu com a crítica literária e ganhou o coração do público em instantes. O estranhamento aliado à escrita envolvente são alguns dos fatores que o deixam uma leitura profunda e cheia de sentimentos variados. Escrito por Han Kang, com tradução de Jae Hyung Woo, o pequeno e intenso título é, por certo, uma das leituras mais mexeu comigo e marcou a minha vida. A protagonista Yeonghye tem um sonho e decide parar de comer, cozinhar e servir carne. Algo extremamente radical, se considerarmos a cultura sul-coreana. 

 

#MulherBacanaLê: A Vegetariana, de Han Kang (Foto: Paula Jacob)

A partir dessa decisão, sua vida começa a caminhar para momentos de outras renúncias, que envolvem afeto, sexo e violência, para chegar num estado de salvação pessoal em que o corpo humano se funde com a natureza por completo. Apesar da densidade dos temas propostos pela autora – que nada se restringem ao estilo de vida vegetariano –, não consegui desgrudar os olhos do livro até terminá-lo. Talvez por isso ele me atravessou tão profundamente. 

Devo ressaltar a escolha narrativa: dividido em três capítulos, essa história é contada pelo ponto de vista do seu marido, do seu cunhado e da sua irmã. O que já nos coloca na perspectiva do outro e nunca da protagonista. Podemos fazer um paralelo com o fato de as mulheres taxadas de "loucas" ou que possuem poder de decisão sobre a própria vida são descreditadas, não têm voz própria; as testemunhas ao redor deslegitimam o seu depoimento, não respeitam seu posicionamento. Com isso, diversas violências acontecem contra esse corpo feminino. Violências físicas e psicológicas – algo surtiu à mente? 

#MulherBacanaLê: A Vegetariana, de Han Kang (Foto: Divulgação)

E mesmo com esse constante tolhimento (ou tentativa de) dos seus amigos e familiares, Yeonghye carrega uma serenidade e uma liberdade dentro de si, totalmente segura da sua postura, das suas convicções. Uma pena que nunca iremos saber de fato seus motivos e seus sentimentos. Algo comum nas histórias de mulheres contadas por bocas que se auto legitimam como as fontes da verdade absoluta sobre o corpo do outro. Enfim, leia Han Kang, e não esqueça – jamais – de inserir o livro em seu contexto histórico-geográfico.

Sobre a autora
EDINBURGH, SCOTLAND - AUGUST 17:  South Korean writer Han Kang attends a photocall at Edinburgh International Book Festival at Charlotte Square Gardens on August 17, 2016 in Edinburgh, Scotland.  (Photo by Roberto Ricciuti/Getty Images) (Foto: Getty Images)


 

Formada em Letras pela Universidade de Yonsei, Han Kang é um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea da Coreia do Sul. Aos 49 anos, ela já trabalhou como jornalista, mas encontrou nos contos e romances a sua vocação. Desde o início da carreira de escritora, em 1997, publicou 13 trabalhos, entre romances, relatos e ensaios, e venceu sete prêmios de literatura ao redor do mundo. O Man Booker Prize de 2016, por A Vegetariana, a colocou no radar internacional da crítica literária, que, inclusive, a comparou com Franz Kafka pela analogia entre humano e natureza.

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02.07.2020
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MendesCC
HBrazil!
02.07.2020 (2261 days ago)
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